O relevo do céu
- Subversivas

- 16 de ago. de 2020
- 1 min de leitura
Atualizado: 28 de ago. de 2020
Por Renata Barranco

Arte por Lunetas/Reprodução
8, 17, 18, 28, 37, 48, 49, 50, 52. Essa sequência numérica não é aleatória na vida da protagonista de “O peso do pássaro morto” (2017), romance de estreia da escritora Aline Bei. O livro relata a história da narradora-personagem que ganha o anonimato para traduzir o silenciamento que perpassa a violência contra a mulher. Publicada pelo selo Edith, da editora Nós, a obra ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura 2018 – na categoria de autores estreantes com menos de 40 anos.
Adotando certo andamento teatral e fazendo uso de uma mistura de prosa e poesia, a autora transfigura algumas palavras em cenas repletas de sofrimento e solidão.
Aline Bei subverte a intensidade entre maiúsculas e minúsculas, expõe vazios nas páginas (para evidenciar os silêncios entre as falas) e deixa os versos ondularem com o peso do amadurecimento, e o consequente envelhecimento, da personagem principal.
O impacto, além das reflexões sobre existência feminina, maternidade e invisibilidade social, vem com a personificação do céu, elemento que norteia o desejo da mulher anônima que só conheceu a leveza amorosa ao lado de um cachorro chamado Vento e que queria ser aeromoça para habitar as nuvens e fugir dos tormentos da terra firme.




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